Numa manhã ensolarada gente do mundo todo se reuniu num parque onde nasceu uma discussão.
Eles queriam saber se a música ainda era arte ou se já era mercadoria. Se faziam por amor ou se era pelo dinheiro. E como ali cada um dizia que a resposta já sabia o diacho dessa prosa durou o dia inteiro.
O sol nasceu e já tinha gringo chegando, iam se acomodando e preparando o piquenique.
Pra todo canto tinha nego da Europa, Canadá e Etiópia. De Patrão a bolchevique.
Chegavam mais trazendo consigo suas cestas e toalhas de mesa com as cores do país
Comiam, conversavam e bebiam o americano serviu Hellman’s e o holandês não quis
Ficou Arisco, falou que disso não comia, pior se for Tabasco ou caramujo em Paris
- Seu holandês por favor não fique bravo, eu só compro na Batavo e sei como resolver!
O francês continuou o acalmando, a situação se controlando até oferecer uma Perrier
Foi aí que a coisa desandou de vez, a italiana dava no inglês com o rolo de macarrão
O tibetano se dizia pacifista mas batia no chinês e o judeu jogava o T-Bone no chão
Eu sou músico honrado e não vendo minhas idéias nem minha sede de saber
Mas uns trocados cairiam bem, não faço propaganda mas o que é que vou comer?!
Sei que a arte não se julga onde já se viu tristeza melhor ou pior
E se estou aqui cantando é pra dizer que o alívio de expressar um sentimento este é muito maior.
Depois de toda aquela confusão, comida desperdiçada e gente agonizando no chão
Os estrangeiros perceberam a besteira que fizeram agredindo e maltratando seus irmãos
Todos eles ficaram arrependidos e querendo remissão formaram uma banda
E se reúnem sempre aos domingos todos eles, todos gringos dançando na mesma
ciranda.
Perdoem a minha ignorância mas gosto de imaginar o que não dá pra acontecer,
Quem sabe um dia nós paremos de julgar e passemos a ouvir o que os outros têm a dizer.
Mas enquanto isso não acontece e o meu saldo só desce eu vou tentar enriquecer.

